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Trump promove expurgo para 'eliminar' críticos dentro do Partido Republicano

Eleições de meio de mandato, em novembro, podem fazer Trump perder maioria no Congresso Andrew Leyden/ZUMA/picture alliance Anúncio/DW O presidente americano...

Trump promove expurgo para 'eliminar' críticos dentro do Partido Republicano
Trump promove expurgo para 'eliminar' críticos dentro do Partido Republicano (Foto: Reprodução)

Eleições de meio de mandato, em novembro, podem fazer Trump perder maioria no Congresso Andrew Leyden/ZUMA/picture alliance Anúncio/DW O presidente americano Donald Trump tem promovido um expurgo no Partido Republicano, livrando-se de correligionários incômodos e apertando seu controle sobre a sigla. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Exemplo disso é a derrota, em menos de uma semana, de dois congressistas críticos ao seu governo nas primárias do partido. O deputado Thomas Massie, de Kentucky, e o senador Bill Cassidy, de Louisiana, disputariam cadeiras no Congresso dos EUA nas eleições legislativas de meio de mandato (midterms), em novembro, mas foram preteridos por candidatos mais alinhados ao trumpismo. No sistema eleitoral americano, as primárias funcionam como uma espécie de "peneira": para poder concorrer nas eleições, é preciso primeiro ser eleito dentro do partido. Massie foi derrotado em votação interna do Partido Republicano nesta terça-feira (19), e Cassidy, no sábado. Eles se juntam ao senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, que optou pela aposentadoria após se desentender com Trump. Agora no g1 Além deles, cinco senadores estaduais do Partido Republicano em Lousiana também ficarão de fora da corrida à reeleição após se oporem a uma reforma eleitoral de Trump. Assim como Massie e Cassidy, eles perderam as primárias para candidatos apoiados por Trump. As eleições de meio de mandato são consideradas cruciais porque podem acabar com a maioria que Trump tem hoje no Senado e na Câmara dos Representantes. Esse cenário se tornou mais provável diante da queda de popularidade do governo. Disputa milionária Massie, que era deputado desde 2012, se notabilizou por suas críticas às ações da Casa Branca na Venezuela e no Irã, e por atuar ativamente na liberação dos arquivos do Departamento de Justiça sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Durante a campanha nas primárias, porém, ele frisou ter votado alinhado ao Partido Republicano na maioria das vezes, deixando de fazê-lo somente em propostas que violariam o princípio "America First" (EUA em primeiro lugar). O deputado também irritou grupos de lobby pró-Israel ao votar contra o apoio militar americano a Tel Aviv e contra resoluções simbólicas de apoio ao país e rechaço ao antissemitismo. Em resposta, esses grupos despejaram mais de 9 milhões de dólares na campanha do candidato rival endossado por Trump, Ed Gallrein, ex-membro da Navy Seal, principal força de elite da Marinha americana. A disputa entre os dois foi a primária para deputados mais cara da história dos EUA, com gastos com publicidade de mais de US$ 32 milhões (R$ 160 milhões). Expurgo de dissidentes Republicanos que apoiaram Massie também não passaram despercebidos por Trump. Uma delas, a deputada Lauren Boebert, de Colorado, foi xingada pelo presidente nas redes sociais. "Qualquer pessoa tão burra assim merece uma boa disputa nas primárias!", escreveu Trump, pedindo a republicanos rivais no Colorado que tomassem a vaga de Boebert na campanha republicana — embora o prazo para registro de candidaturas já tivesse passado. Num discurso a apoiadores após a derrota, Massie criticou a lealdade inabalável a Trump no Congresso. "Se o Poder Legislativo sempre vota conforme a direção do vento, então temos um governo da arruaça", disse. Mas, se os parlamentares seguem a Constituição, "temos uma república". Massie também fez um comentário sarcástico sobre o apoio milionário que o trumpista Gallrein recebeu de grupos pró-Israel, afirmando que demorou para ligar para o adversário e felicitá-lo pela vitória porque "foi difícil localizá-lo em Tel Aviv". Já Cassidy, que já havia perdido a primária para a disputa de novembro ao Senado e que vinha tentando agora se eleger deputado, entrou na mira de Trump por ter votado a favor da condenação do presidente após a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Cassidy também apoiou uma tentativa fracassada de criar uma comissão para investigar o episódio, e pediu a Trump que desistisse da reeleição em 2024 após ser indiciado por suposta posse ilegal de informações confidenciais. O senador ficou em terceiro lugar nas primárias, depois de Trump se referir a ele nas redes sociais como um "desastre desleal" e "cara terrível". Além de Massie e Cassidy, outro republicano malquisto por Trump também foi derrotado em eleições primárias, mas para governador: o secretário de Estado da Geórgia Brad Raffensperger. Em 2020, ele resistiu às pressões de Trump para modificar o resultado da eleição presidencial no estado, que deu vitória apertada ao democrata Joe Biden. Nem todas as vitórias de Trump com dissidentes tem sido em primárias. Um dos casos envolveu a ex-deputada Marjorie Taylor Greene, uma antiga apoiadora do presidente, mas que entrou na mira de Trump ano passado por criticar o apoio dos EUA a Israel e por pressionar pela liberação dos arquivos Epstein. Após pressão pública de Trump e receber ameaças de morte de trumpistas, Greene acabou renunciando ao seu mandato. "Nunca duvidem do presidente Trump e de seu poder político", disse na terça-feira via redes sociais o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung.